O sinaleiro
Vou sair de Malanje e vou até Luanda, anos 1963 e 1964.
Na Mutamba, do lado direito de quem está de costas para a Câmara, havia um sinaleiro espectacular. Às quatro ou cinco horas da tarde, juntava-me ao Chico Franca e seus colegas da Fazenda e admirávamos o festival e os condutores para se deliciarem ouviam as buzinadelas. Nunca percebi se era porque também queriam assistir ou se estavam realmente apressados. Tenho para mim que se o Michael Jackson o não imitou, mas pelo menos não desdenharia tê-lo conhecido. Se um, o MJ não anda mas sai do lugar, o sinaleiro-meu-ídolo andava não saindo do lugar. As palmas, que em certos momentos o acompanhavam e reconheciam, penso terem-no alimentado criativamente. Era um desvario de cumplicidades: ele o maestro, os carros e as suas buzinas os músicos-e-a-música-e-seus-bailarinos, nós os espectadores indefectíveis.
Era uma figura muito querida por todos os Luandenses.
