A Baixa de Cassanje
Só por si, cerca de uma vez e meia maior do que Portugal, a Baixa é um mundo. Fica só o enamoramento eterno daqueles que a conheceram: eram os fósseis que por lá existem e comprovam a existência no tempo de um mar; eram os enterranços que explodiam em alegria quando deles saíamos; eram os "candeeiros" que certas sanzalas utilizavam amassando um pouco de barro e nele introduzindo um barbante, evidenciando a existência de petróleo; eram os diamantes feitos aventura e cobiça por alguns; eram a riqueza do solo para a agricultura e a pecuária; era a caça; … era África no seu melhor.
Uma pequena história:
Uma vez, em Malanje, fui jantar com o meu irmão que era engenheiro técnico agrícola, responsável pelos Serviços de Agricultura e Florestas para a Baixa, e com morada em Cacolama, mais uns seus colegas e dois brasileiros enviados pelos governos Portugal-Brasil com uma missão qualquer, cujo conteúdo especificamente nunca se sabia. O João, meu irmão, no dia seguinte acompanhá-los-ia a uma estadia na Baixa, durante uma semana.
Falava-se tecnicamente sobre vários aspectos. Os brasileiros ouviam e pensavam em sei lá o quê.
Uma semana depois, o João regressou e, antes de os levar ao Hotel Planalto, em Malanje, foi deixar a mulher e o filho em casa dos meus pais. Estávamos no cacimbo de 1972, certamente no mês de Julho ou Agosto. Quando o carro parou, saiu o Cavalcanti, um dos técnicos brasileiros, que em êxtase exclamou voltado para mim:" Oh cara, tem mesmo que ver ... nem no Egipto!!!...". Referia-se à qualidade e porte das plantas do algodão.
