VICTOR WENDLING
Nasceu em 1855, na Alsácia, em Uhlvillier. Devido à guerra franco-prussiana, a sua família refugiou-se em França. Aí se preparou para o sacerdócio tendo sido ordenado em 1882.
Foi enviado para o Colégio do Espírito Santo, em Braga, e em 23 de Outubro de 1895 embarcava para terras de Angola, onde se ia dedicar à actividade apostólica, tendo sido inicialmente colocado na Huíla.
Chegou a Malanje em 1898 para substituir o padre Georges Krafft, também alsaciano, fundador e superior da Missão de Malanje desde 1890. Podemos afirmar que o padre Victor Wendling foi nomeado professor de instrução primária, para a escola de Malanje, no dia 10 de Abril de 1900, tendo tomado posse do cargo na mesma data. Temos conhecimento de que, em Fevereiro de 1906, a escola masculina de Malanje estava ainda confiada aos cuidados do padre Wendling. Encontrámos a seu respeito referências pormenorizadas no Cadastro de Professores de Angola e no livro “Cem Anos de Missionários do Espírito Santo em Angola”, da autoria do padre Cândido Ferreira da Costa.
Naquele ano de 1906 efectuaram-se exames de instrução primária, do segundo grau, na escola de Malanje. O júri era constituído deste modo: capitão Francisco António Baptista, Manuel Avelino Antunes e padre Victor Wendling.
A revista metropolitana “Portugal em África”, do mês de Julho de 1906, referia-se aos exames mencionados, informando que, além dos nomes indicados, fazia parte do júri o alferes José Veloso de Castro, e dá-nos a indicação de que o outro vogal era também oficial do Exército, no posto de alferes. Diz ainda que foram examinados sete candidatos, sendo todos aprovados, salientando-se a boa preparação recebida do padre Victor Wendling; três deles foram classificados com dintinção, salientando-se, no entanto, um dos examinandos, que mostrou ter conhecimentos muito mais vastos do que os seus companheiros. Estes jovens ficavam, em virtude do exame que lhes foi feito, legalmente habilitados para serem nomeados professores das escolas mantidas nas diversas estações missionárias, dependentes da Missão de Malanje. Assim, podemos compreender que houvesse ali vários professores com idade muito baixa, de apenas dezasseis anos. E devemos recordar que nos aparecem todos depois do ano de 1906. Aquela revista não publica os nomes, mas sim a fotografia dos examinandos, entre os quais está o seu professor. E inseriu igualmente a gravura dos indivíduos nomeados para o júri.
Quando foi criado o Distrito Religioso da Lunda, com sede em Malanje, o padre Victor Wendling passou a ser o seu superior canónico, mantendo-se no exercício deste cargo desde 1899 até 1911. Fundou a Missão do Mussuco, em 1900, deslocando-se para o local, a fim de orientar os trabalhos de ordenação e estabelecimento das respectivas actividades.
O padre Victor Wendling escreveu ainda uma obra de muito interesse para a evengelização e mesmo para a escolaridade, sobretudo naquele tempo, o seu “Catecismo Quimbundo-Português”, que contava cento e quarenta páginas.
Depois de uma curta estadia em França foi transferido para a Missão dos Gambos, tendo-lhe sido confiada a sua direcção, onde permaneceu durante dezasseis anos. Adoeceu gravemente nos fins de 1928. O médico assistente reconheceu a necessidade de se transportar para a Huíla, na esperança de que a salubridade do clima pudesse ajudar a cura. Não aconteceu assim, vindo a falecer naquela localidade, a mesma onde tinha iniciado a sua vida missionária havia mais de trinta anos, em 29 de Dezembro de 1928. A imprensa de Angola prestou naquela altura sentida homenagem às suas qualidades, celebrando e exaltando as suas virtudes.
(in, “Primeiras Letras em Angola”, de Martins dos Santos – Edição da C. M. de Luanda, 1973)
