TERNURA POR ANGOLA
Apetece-me abraçar Angola.
Percorrer as terras vermelhas das picadas.
Sentir o calor e o cacimbo.
De novo redimensionar o olhar e o espaço.
Ouvir risos e sentir a palmada amiga no cachaço.
Conversar sem pressa. Ouvir os últimos mambos.
Tomar banho no Mussulo e contemplar o pôr-do-sol.
Pedir mandioca e gimboa. Petiscar uma quitaba.
Dar lugar ao muzonguê quando a farra acaba.
Comer feijão com óleo de palma bem feito.
Marcar encontro com um mufete.
Degustar uma quiabada. Ver bater um pirão.
Relembrar o jindungo forte,
Na muamba de galinha oferecida como preito.
Com quissângua refrescar o peito.
Saborear uma manga,
À sombra da vetusta mangueira do quintal.
Mitigar enfim a saudade
Na ressaca assumida de dormir feliz
Num luando estendido a preceito.
