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REFLECTINDO

Estou em Paços de Sousa. Longe de Malanje onde temos tantas crianças pequenas a quem chamamos de “Batatinhas”. Uma Casa do Gaiato sem “Batatinhas” é uma Casa triste: dia sem sol, nuvens negras e rajadas de vento … Quem manda nas crianças que perderam os pais ou filhos de alcoólicos e de lares desfeitos? O Estado se faz dono e famílias de acolhimento as recebem a troco de euros como mercadoria barata. O amor? O carinho? As lágrimas? Podem acontecer mas não é preocupação inicial. Baralho de cartas sem ases nem reis.

Sinto-me triste ao percorrer as ruas desertas da nossa Aldeia … Deserto sem oásis! Árvore truncada.

Bilhetes para África ou Brasil? Lá crianças são multidão … correm, brincam e tomam banho, depois das chuvas, nas poças de água com suas pilinhas ao léu! Muita delas sub-alimentadas, sem carinho nem escola … Padre Américo não hesitaria. Compraria duas grandes panelas, muitos pratos e alugaria, para começar, um barracão.