

Por Tazuary Nkeita
Pela primeira vez na minha vida fui a Kinshasa e nem a menina da
recepção acreditou que estava a ser verdade. «C’est pas possible!», exclamou ela, perguntando onde estivera tanto tempo se vivia
ali tão próximo do seu Congo-Leopoldeville, como me habituaram a chamar,
desde a infância, o país dos leopardos. «C’est pas possible…», mas
era mesmo a minha primeira vez.
«Se soubesse que ia encontrar um leopardo tão bonito, teria vindo mais cedo para te descrever num romance…», disse e o gelo derreteu-se imediatamente.
Naquele instante, estava a haver de facto outra
primeira vez. Nunca tinha feito uma amizade num minuto com uma mulher tão
linda e tão segura de si. Linda na educação, no olhar, no sorriso, no
penteado, na espessura das sobrancelhas e, imaginem…, até à própria sombra!
Aceitei ir a Kinshasa por curiosidade. Há muito que queria
verificar a «authenticité zaïroise» e os costumes daquela gente. Um
colega alegou indisponibilidade e sugeriu que fosse no lugar dele, para
evitar a «cadeira vazia».
Já tinha estado inúmeras vezes no outro Congo, em Brazzaville,
mas Kinshasa era uma rota estranha. Por razões familiares, o Congo-Brazza
foi o primeiro país estrangeiro onde gozei férias. Depois, continuei a lá ir
regularmente, por vários motivos, tanto no apogeu como na queda. Com tantos
amigos, sentia-me amparado.
Não podia dizer o mesmo de Kinshasa, onde não conhecia ninguém.
«Como será Kinshasa?», era a pergunta que me inquietava, depois de
estar em tantas cidades africanas.
Aterrei com o olhar silencioso e não gostei do que vi. O
aeroporto estava a cair aos bocados e um retrato gigante do ex-presidente
Kabila, na fachada exterior, pedia em silêncio para ser remodelado. Os 25
quilómetros do percurso pela área mais populosa da cidade, num Domingo à
tarde, foram de estupefacção. «Eh!, Kinshasa é isso!?», exclamaram
todos os ocupantes da viatura. Éramos três e era a nossa primeira vez. E
pela primeira vez na vida senti uma cidade a querer falar com uma corda ao
pescoço: «Vivo dias difíceis, meu irmão…!».
Chegamos ao hotel, numa rua de terra batida. O vasto complexo não
era mau e mostrava, afinal, o pulmão da floresta tropical. Era um recinto
ainda em construção, vedado por um muro, com muitas plantas e arbustos. Ao
lado, um condomínio de luxo com um muro superior a dois metros de altura
cobrava 3.000 dólares por mês por uma suite. Rolam viaturas com vidros
fumados; o dólar e o franco congolês circulam juntos; no mercado fala-se
português e vendem-se carapaus em caixas.
À direita do recinto exterior do hotel, um macaco gritava
amarrado a um tronco. Era corpulento, mas devia ser bebé pelos sons que
emitia. Ao lado dele, destacava-se a estátua de um cowboy com uma beata na
boca, um chapéu a western e uma pistola na posição de quem vai matar.
O pistoleiro também parecia querer dizer: «Atenção, aos assaltos. Pode
ser atacado se andar sozinho ou em lugares pouco movimentados».

Se olharmos para o plano de desenvolvimento ferroviário de Angola encontraremos uma linha projectada em direcção ao norte (Minas de Bembe) que viabilizará a extracção de minério naquelas paragens e que passará pela planície de Cacuaco até se embrenhar pelo interior para atingir o território do Uige.
Em anos não muito distantes, a área do Kikolo estava servida de um comboio de passageiros e mercadorias que partia da estação dos Musseques. O alargamento e crescimento exponencial de Luanda (urbana e suburbana) há muito reclama a entrada em cena de outros actores no domínio dos transportes colectivos, para complementarem os habituais autocarros, candongueiros e ultimamente os kupapatas.
A entrada recente, mas ainda insignificante, de novos operadores de táxis é uma mais valia, porém exígua para a grande demanda. Daí que o anúncio do Senhor Presidente da República para a construção do Metro de Superfície vem em boa hora e espera-se que da palavra dita ao facto vivido não haja um grande hiato de tempo que possa vir a transformar o discurso presidencial em letra morta.
Haverá, com certeza, questões ligadas à operacionalidade técnica quanto à implantação do projecto ora anunciado. O Metro de Superfície é o que mais se adapta às características geo-morfológicas e sociais da nossa capital. Para a sua materialização, é preciso, porém, ter-se bastante coragem e nos despirmos todos de todas as formas de resistências às mudanças.
É preciso também ter em conta que Luanda está ainda sem um plano urbanístico definitivo. A reparação de vias estruturantes tem levado à destruição de muitas casas e a construção das linhas para o Metro de Superfície exigirá, com certeza, outros grandes sacrifícios quer para o Estado quer para os cidadãos que serão afectados por esta benfeitoria. Porém, temos de pensar na Luanda de 2020 ou mesmo de 2100 que terá de ombrear em igualdade de circunstâncias com as congéneres capitais africanas e mundiais.
Antes de se iniciarem as obras do "nosso metro" que se pense também na integração das infra-estruturas básicas para os sistemas de água, energia, gás e telecomunicações para que não se repita, no futuro, a ocorrência de empresas construtoras a danificarem, por falta de informações, aquilo que com muito sacrifício e dinheiro se está a erguer.
Publicado no Semanário Económico (Angola) de 08.07.2010.
A minha última reflexão sobre a política nacional aconteceu em 2008, depois das eleições legislativas onde eu sugeria à media para pôr termo às denominações bicéfalas nos partidos políticos, uma vez que a realização das eleições tinha nivelado a questão das lideranças ao aceitar determinadas candidaturas e chumbar outras. E parecia que as coisas estavam bem encaminhadas até que ressurgiu o caso FNLA, onde as eleições, por si só, não encerraram em definitivo o assunto, tendo o Tribunal Constitucional, em função das várias reclamações a ele dirigidas pelas partes envolvidas, comunicado um acórdão em que repunha a situação ao último congresso convocado pelo finado Holden Roberto.
Em 1998 Lucas Ngonda entrou em colisão com Holdenm Roberto por este nunca lhe passar pela cabeça a realização de um congresso. Ngonda criou uma quinta coluna e realizou um congresso que o elegeu presidente. Do outro lado permaneceu Holden e a sua entourage, com Ngola Kabango como actor principal da “orquestra”. O partido passou a ter duas sedes, uma na rua Samuel Bernardo e outra na Hoji-ya-Henda.
Uma mediação, composta por William Tonet, igreja e companhia, convenceu as partes para partirem para um congresso da unificação, realizado em 2004, onde a direcção ficou repartida entre as duas alas, ou seja: Presidência para Holden Roberto; 1ª Vice-Presidência para Lucas Ngonda; 2ª Vice-Presidência para Ngola Kabango e a Secretaria-Geral para Francisco Mendes (um correligionário de Ngonda). Este elenco teria de coabitar até à realização de um congresso ordinário nos dez meses seguintes, o que não aconteceu, pois o velho Holden assim não entendeu, resultando numa nova “rebelião” de Ngonda e parceiros que dois anos depois, realizou outro congresso à parte.
Com o líder fundador morto, Ngola Kabango, sentindo-se substituto natural, parte, finalmente, para um congresso em que não participam os da ala de Ngola e proclama-se presidente (herdeiro do programa de Holden). O congresso teve a participação e candidaturas de Carlinhos Zassala, Miguel Damião e um outro candidato. Todos eles reclamaram da organização e fraude, remetendo ao Tribunal Supremo a impugnação do conclave.
Em 2009, o Tribunal Constitucional, herdando os processos do Tribunal Supremo, através de um acórdão, remeteu a situação da liderança da FNLA ao congresso da reunificação, o último convocado por Holden Roberto, facto que fez transitar a presidência legal das mãos de Kabango para NGonda que acaba de convocar, nas vestes de presidente interino o congresso extraordinário, hoje (07.07.2010) terminado.
O que me inquieta é que mesmo os jornalistas e os órgãos de comunicação social conhecendo a realidade e a conturbada história desta formação política, em vez de procurarem por esclarecimentos legais e esclarecerem o povo, voltaram a embarcar na bi-cefalia do partido, ouvindo Ngonda e Kabango, ambos como presidentes.
E o povo que espera por um esclarecimento da media como fica? E pior é que Ngola Kabango grita aos quatro ventos ser o presidente legal prometendo um outro congresso para Novembro do ano que vem…
- Continuará a FNLA ad eternum na condição de um partido onde as pessoas nunca se entendem?
- E como fica a questão da obediência partidária dos deputados eleitos, dentre eles Ngola Kabango?
- O partido continuará a ter uma sede na rua Samuel Bernardo e outra na Avenida Hoji-ya-Henda?
Eu, modestamente, até já sou pela extinção desta “batata podre” que pode contaminar outras “batatas” partidárias.









DIFERENCIAÇÕES
Dentro do compartimento
De um luxuoso apartamento
Alguém ri,
A vida é bela e para ele sorri
Montes de dinheiro são contados
Montes de dinheiro serão depositados
Enquanto isto, lá fora
Gente que dorme ao relento
Gente que não tem tecto
Prepara-se para andar à porrada
Prepara-se para andar à bordoada
Vai haver pancadaria à qualquer altura
Dentro do compartimento
De um luxuoso apartamento
A alegria é visível,
A cumplicidade é inviolável
Mais um carro de luxo comprado
E mais outro bem (ilicitamente) adquirido
Enquanto isto, lá fora
Há problemas, há makas
Puxam-se facas
Cacos de garrafas em mãos raivosas
Falares de revolta em vozes furiosas
Vai haver pancadaria à qualquer altura
Dentro do compartimento
De um luxuoso apartamento
Faz-se amor, amor proibido
Amor pecado
Mais uma amante conquistada
Mais uma mulher enganada
Enquanto isto, lá fora
Gente esfomeada às guerras
Gente esfomeada às turras
Turras por um pedaço de pão
Turras pelo espaço na cama-chão
Vai haver pancadaria à qualquer altura!
Dentro do compartimento
De um luxuoso apartamento
Tudo bem, ri-se à toa
Afinal a vida é boa
O lucro fácil, é fácil de se conseguir
É fácil de se dquirir
Enquanto isto, lá fora
Adolescentes vadios
Descarregam entre si ódios,
Há no ar ameaças de morte
Há gritos por toda parte,
Entretanto a noite é avançada em hora
E vai haver pancadaria à qualquer altura!

Cume da descida do ESSEOESSE
Minha poltrona ao luarSinto as vozes das ondas
Barruarem as pedras da rampa
E os pescadores de ânsias remotas,Nas doidivanas noites,
Lançam baforadas ao acaso
De diambas frustradas,Miram-se pequenos pirilampos
Queimadores de bocas já púrpuras,
Passadas para passas
De vultos para vultos…Êxtase!...
Corridas, gritos, enfim suspiros…
Persegue-os até a rampa,
Mergulham à madrugada
Adormecem na noite grande, enorme, extensa…Os sonhos engolem os segredos dos mares,
E eu…
Por detrás
No defronte da tela
Espreitava o provir…

MATIZES
Chuiiii!...
Escuta meu amor
Abranda o gesto
Que a hora é de magia e encantamento.
O vento adormeceu
E o firmamento
Vestiu-se de matizes singulares …
Chuiiii!....
Olha a branca areia
E se atentares
Verás linda sereia entontecida
Rendilhando cada onda que desmaia
Lentamente,
Mansamente
Ao longo da imensa praia.
Cala, que já lhe vi o olhar triste
E as lindas mãos de errante penitente.
Não digas nada meu amor.
E a linda onda
Num espreguiçar veio morrer junto a mim
E sussurrou
“ Por quem penas, a quem amas
Quem foi que te encantou? “

Lucala que ainda molhas os picnics saudosos
Com sabor de caldeirada de cabrito.
Cascatas altas que me secavam os olhos
De tanto olhar a névoa molhada.Postal que “desenhei” no Seminário
Copiando em cima de papel vegetal,
Escondido de tanta beleza.
As águas sombreando as pedras.
E a árvore tapando o esplendor.Cá de longe, aproveitava os respingos
Da manhã da chegada de domingo
Viajado, Polígono, Gaiato, Lombe,
Já chegámos às Quedas.Onde se estende?
Não te chegues muito perto.Orvalho que não se chamava assim
No domingo da minha infância.
Eram gotículas cacimbadas
Que se saborevam até para lá do meio dia.
Em contraponto com sol deixado na cidade
Da minha casa.E a música de água subindo pelos meus ouvidos
Caía eternamente no imaginário do fundo que nunca vi,
Tapado pelo fragor..
Mas ela ia, e parecia que não caía,
Elevada pelo meu olhar.
Via o borbulhar no cimo e perdia-me
Mesmo vendo a espuma
Que tinha apostado não perder na descida.
Mas ela ganhava sempre.
Perdia-a.
Mas logo a substituía por outra
Queda musical.E vrummmm………
De volta à Laranjada e à Quik
Devorava, sentado, ao lado de uma toalha aos quadrados verdes e brancos.
Pintados com gargalhadas de conversas felizes.
À volta de uma caldeirada de cabritoPic Nics.
O quase pousar da Luz
Indica a hora de voltar.
Vrrummm, as quedas afinal ainda eram as mesmas
No olhar.
Subiam sempre que nos apetecia imaginar.
Desde quando cheguei de manhã, lá.
Como hoje, cá.

POEMA ASSIMÉTRICO
Dormindo sob um Sol dado à morte
Xico Bastião sonha... ele é um soldado
e lhe disseram: soldado não sonha, mata!
Mas Xico Bastião sonha...
entre Zenza do Itombe e Ndalatando
há um kimbo à sua espera
e os braços doces de uma mulher
sua lavra massango, milho, mandioca
e no kimbo o riso monandengue do futuro
do fruto que ficou crescendo no ventre
vida da mulher dos braços doces...
Xico Bastião acorda no sobressalto
de obuses e murteiros e voz que lhe diz:
mata mata mata ou ficas estendido na mata,
a desconseguir a vida, o kimbo, a lavra e...
Xico Bastião mata para regressar ao kimbo
a guerra é pessonha de kinhoka
e o sonho roto se diluindo na voz sem alma
das armas cuspindo fogo: kuta-mate-túbia
kuta-mate-túbia, tututúbia...
e os fiapos do seu sonho passam desfeitos
são, agora, um fogo-fátuo (soldado não sonha...):
lavra - larva (e) morte
lavrador - lavra (a) dor
e um desejo de chuva é lágrima no seu rosto
entre Zenza do Itombe e Ndalatando
ou em outro qualquer lugar
há sempre um kimbo à espera
de um lavrador transformado em soldado
e muitas vezes também
os braços doces de uma mulher...
Kimbo - aldeia, sanzala.
Kinhoka - Cobra, palavra kimbundu.
Kuta-mate-túbia - literalmente: armas de cuspir fogo, kimbundu.
PALANCA NEGRA GIGANTE
02. 2º Trimestre Relatório da Palanca
Caros amigos,
O Segundo trimestre marca o final das chuvas e o início do cacimbo. Se eu pudesse escolher, este seria claramente o período menos atractivo nas matas da palanca. Em Abril o clima é quente e húmido, os rios transbordam, os solos estão saturados e água e o capim em rápido desenvolvimento é frequentemente impenetrável. Tudo isto torna o processo de nos movimentarmos na região, um exercício doloroso. Depois o clima muda subitamente quando entramos em Maio, quando as chuvas param. E durante Maio e Junho, o factor mais incomodativo é, sem dúvida, o longo e áspero capim. O capim caduco bloqueia a visibilidade, escondendo trilhos e picadas, entupindo os radiadores dos carros, e com as suas arestas afiadas facilmente cortando a pele quando caminhamos a pé.
Em qualquer caso, entrávamos numa fase crucial na Cangandala, à medida que as fêmeas no santuário completavam os primeiros 9 meses de confinamento na companhia do nosso macho dominante, pelo que tudo era possível... referíamo-nos ao nascimento de crias naturalmente! Na melhor das hipóteses elas poderiam parir em Maio, mas suponho que isso seria demasiado optimismo e o que é facto é que ainda não aconteceu. Os animais devem certamente precisar de mais tempo para se ajustarem à sua nova condição de semi-cativeiro e estou confiante que teremos as primeiras crias puras no próximo trimestre.
Apesar de tudo, registámos alguns sinais positivos nas nossas visitas. A primeira coisa que notámos foi que as fêmeas, apesar de se manterem ainda juntas, pareciam mais sensíveis, não permitindo a nossa aproximação como antes (Fotos 01, 02).
Em claro contraste, o macho pareceu sempre muito calmo e protector da manada (Fotos 03, 04, 05).



De todas as vezes que nos aproximámos do grupo, o macho ficava sereno entre nós e as fêmeas, enquanto permitia que estas se escapulissem rapidamente dentro da floresta densa. Conseguimos assim excelentes observações do macho, mas foi muito frustrante o facto de não conseguirmos observar as fêmeas adequadamente, o que era o nosso principal objectivo. Obtivemos contudo breves avistamentos das fêmeas, e a impressão geral foi a de que estas se apresentavam luzidias, saudáveis e gordinhas... nalgumas fotos pareceram claramente poderem estar prenhas (Foto 06)...
Por outro lado, a monitorização rotineira dos híbridos (Fotos 07, 08, 09) no resto do parque através das câmaras ocultas, revelou uma grande surpresa: os híbridos afinal serão capazes de se reproduzirem!
Isto foi totalmente inesperado já que nos últimos anos nunca detectámos nenhum indício de que isso pudesse ocorrer. O primeiro registo perturbador foi uma fotografia da Anastácia (a primeira híbrida capturada – também conhecida como a nossa “Judas” já que foi ela que traiu o restante grupo durante a operação de capturas), sozinha numa salina e mostrando claramente as tetas inchadas (Foto 10).
É ainda incerto se ela chegou mesmo a parir mas sugere claramente comportamento reprodutivo e gravidez (com sucesso ou não). Mas a bomba não demoraria, quando uma sequência mostrou a manada híbrida, na qual uma das fêmeas mais velhas surgiu acompanhada de uma jovem cria com um par de meses (Foto 11).
E como se não bastasse, outras fotos mostraram típica interacção mãe-filha (Foto 12). É um facto: os híbridos são férteis!
A questão mais óbvia e imediata, e para a qual ainda não temos resposta, é: quem foi o maldito pai dessa pequena cria? Ou, por outras palavras, que tipo de novo híbrido temos nós agora? Até aqui todos os híbridos se presumia serem F1’s (o produto do cruzamento de uma palanca negra com uma palanca vermelha), mas agora teremos algo diferente, ou um F2 (híbrido F1 X híbrido F1), ou um backcross (híbrido F1 X palanca vermelha ou negra). Este último tipo significará um animal que é 75% de uma espécie e 25% de outra espécie. As implicações de ser um ou outro tipo de híbrido pode ser relevante. Enquanto que um F2 provará que os híbridos podem, pelo menos ocasionalmente, reproduzir-se entre eles, um backcross colocará um novo tipo de ameaça real e imediata de contaminação de uma das espécies parentais.
A minha convicção é que estaremos a lidar com F2’s, principalmente porque o grupo híbrido tem sido permanentemente escoltado por um macho híbrido impressionante (Fotos 13, 14).
No passado, a manada não dispunha de um macho “residente” adulto, e isto é o que deve ter levado as fêmeas puras a seduzirem machos de palanca vermelha, mas desde o ano passado, este jovem macho híbrido tomou o lugar vago como dominante. Não podemos contudo excluir ainda a possibilidade de termos num backcross com um macho de palanca vermelha (ou até com o jovem macho errante de palanca negra – esta parece uma possibilidade remota, mas também a mais preocupante).
Tudo isto torna óbvio e incontornável o recurso à genética, para clarificar todas estas questões, e auxiliar na gestão e recuperação do grupo reprodutor ao mesmo tempo que se controla (e compreende) a evolução dos híbridos.
Os próximos meses prometem ser muito interessantes...
Cumprimentos,
Pedro